Criando filhos numa bolha

Na barra da saia da mamãe. Até aonde a vista alcança.  Debaixo das asas. Sim, eu crio meus filhos numa bolha. Na minha bolha.
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Esse assunto foi pauta da Live de hoje mais cedo.
Não tem jeito, o assunto mais pedido é sempre do por que Gu não vai à escola.
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No geral, tudo o que uma criança vive até os 6 anos de idade determina seu caráter... Nessa fase tudo o que eles realmente precisam é ser amados e cuidados com muito carinho e atenção. Isso vai definir, lá na frente, se ele será uma pessoa segura, com boa auto estima, companheira, de boa fé, livre de preconceitos ou não...
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Ao longo dos meus dias como mãe pude observar o quanto nossos filhos são influenciados por atitudes e comportamentos que os cercam. Bons ou ruins. É a única maneira de filtrar apenas os exemplos bons seria criando-os numa bolha. Não essa bolha pejorativa que descrevem por aí, onde protegemos nossos filhos de ferimentos - físicos ou emocionais. Mas afastar, o quanto for possível, situações que ele ainda é muito imaturo para viver, sem discernimento para julgar boa ou ruim.
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Percebo que tem sido muito natural na maioria das crianças ver soberba, ganância, inveja. Elas dizem "meu brinquedo é melhor", "eu tenho isso, você não tem" com o único intuito de sentir prazer ou diminuir o outro amiguinho. Quando isso acontece, percebo que o amiguinho reage assim: ou se defende dizendo que o dele é melhor por causa disso, disso e daquilo, ou sai triste e choroso.. Quando isso acontece com o Gu, que não tem contato diário com esse tipo de situação ele simplesmente não dá bola, passa batido.
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Vou dar outros três exemplos da nossa bolha.
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Outro dia, quando o Gustavo estava indo para um lugar que não deveria pois era perigoso, alguém disse "Não vai aí que tem um bicho que te pega." Na mesma hora eu abaixei e falei "Não, filho, ali não tem nenhum bicho. Mas ali é perigoso e você pode se machucar.".. Eu não quero que ele respeite algo ou alguém por medo, muito pior se for uma mentira. Quero que ele entenda que é errado fazer isso.
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Um dia desses Gu estava de cabelo preso e uma criança achou graça por ele ser um menino e estar com rabo de cavalo. Na mesma hora me abaixei e falei que não havia problema nenhum naquilo. Meninos podiam usar cabelos presos, assim como meninas podiam usar cabelos curtos. Meninos podiam brincar de boneca e meninas de carrinho.
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Numa tarde, Gu brincava com alguns meninos mais velhos. De repente percebi que ele estava sendo feito de bobo só pra render boas risadas dos meninos. Já era o terceiro dia consecutivo que acontecia. Eles mandavam o Gustavo fazer coisas como beber a água da poça do chão, pular de um brinquedo muito alto, jogavam a bola para ele pegar mas nunca o deixavam alcançar... Deixei que eles fizessem aquilo por algum tempo, até que o Gu cansou e ficou triste. Nós voltamos para casa, eu sentei e expliquei que aqueles meninos não eram bons, que só estavam fazendo aquilo pra machucá-lo e que deveríamos procurar outras crianças pra brincar.
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Em todas as situações ele foi exposto ao "problema" e em tempo de entender eu expliquei e "reverti a situação". Eu tive controle daquilo que ele absorveu. Essa é a nossa bolha.
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Não é um trabalho fácil, mas eu escolhi o caminho mais difícil, que ao meu ver é o melhor caminho para o meu filho.
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Pode ser que tenha muita gente que pense que é bobagem, frescura, ou só que pense diferente. Mas que bom que tem!! Porque o que seria do mundo se todos nós fossemos criamos da mesma maneira, não é?!

Comentários

  1. Adorei sua linda bolha! Fantástica sua paciência e persistência, como vc disse não é o caminho mais fácil, mas concordo q é o melhor.
    Meu Noah tem apenas 8 meses e por enquanto é nosso filho único, mas já estamos pensando no próximo. Também pretendo aguardar alguns anos para colocá-lo na escola. Sempre achei que antes dos dois anos não colocaria, mas vendo o seu ponto de vista talvez espere mais. Vamos ver até lá como será nossa rotina.

    Parabéns pela mãe empenha que és!

    Beijo grande! Natalia R. Golfetto

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  2. Sempre recebi inúmeras críticas por criar meus filhos assim, "dentro de uma bolha". Cresci sem meus pais (falecidos), entao quero estar presente em tudo. Ouço muito: a mae deixa eles serem crianças! deixo, claro, e quem disse que nao sao crianças felizes? Isso e nitido no olhar deles. Hoje um com 8 e 5 anos, a primeira coisa que fazem ao acordar e me abraçar. Os colegas da escola me olham e sorriem. Um ate disse que queria que a mae desse um bj pra se despedir antes da aula ( a mesma fala que ele ta muito grande p ele isso). Nao sei o que anda acontecendo com esse desapego de umas criações por ai, passa tao rápido a vida nao e? sou totalmente a favor de criação com muito apego, amor, carinho. Isso nao e mimar seu filho, e ensinar que mesmo nesse mundo estranho e possível ser feliz. Bjos bjssss sua família e linda. Continue Karen! Denise Alves

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