Desmame Noturno... Não e Porque!

Esse não é um post com dicas milagrosas de como desmamar o seu filho a noite. Até gostaria que fosse, mas não é.
Se você é careta, radical ou extremista, já sugiro que guarde todos os seus ideais em um envelope e só abra daqui há algumas horas...




Hoje faz 15 meses que eu não durmo mais do que 3 horas seguidas [sem contar, claro as inúmeras vezes eu levantava a noite para fazer xixi na gravidez, tá?!].

Quando o Gustavo completou 9 meses, me bateu os "5 minutos" e eu decidi que queria dormir a noite toda, era a hora de fazer o desmame noturno.
Li tudo o que pudesse me ajudar, ouvi todos os conselhos e palpites, estava munida de todas as informações para fazer aquilo acontecer. Sabia que não seria fácil e que em 3 noites milagrosamente tudo funcionaria [é o que dizem por aí].
Uma coisa era certa, jamais deixaria ele chorando sozinho no berço, como algumas técnicas cruéis indicam fazer. Poderia chorar, mas nunca sozinho.

Pois bem, nessa época o Gustavo só queria dormir na rede [filho de índia, índio será!] então seria fácil "niná-lo" já que era só balançar, né?!

A primeira noite aconteceu assim, Ele acordou à meia-noite, religiosamente. Fui até a rede, cantei, ninei, deu certo! Ele voltou a dormir depois de 20 minutos de resmunguinhos e grunidos.
Duas horas e meia depois, a mesma coisa. Às cinco da manhã aconteceu igual. Às 6h acordou novamente, aí eu liberei o mamá.

A segunda noite foi muito parecida, o que foi mudando foi o tempo que ele demorava para voltar ao sono. Algumas vezes eram os 20 minutos, outras 10 e outras, com muita sorte, só 5 minutinhos.
Parecia tão fácil...! Um sucesso! Claro que eu ainda estava acordando de 3 a 5 vezes por noite, precisava de muito mais energia para estar ali pacientemente cantando e embalando, do que se estivesse dando mamá. Mas fazia parte!

A terceira noite do processo [que dizem que é o marco, que é onde a criança entende que aquele é o fim, que se ela não der um show e esgotar toda a sua energia, jamais irá mamar novamente - ahãn!] foi bem difícil. Dessa vez ele chorou de verdade, não apenas resmungou. E foi assim a noite toda, como das noites anteriores, porém com mais choro.

A quarta, quinta, sexta e sétima noites foram tão iguais, tão cansativas e tão exaustivas, quanto a terceira.

Meu leite? Jorrava e meus seios ardiam, parece que chamando pelo Gustavo.

Eu me perguntava o por quê. Por que havia passado mais de três dias e as técnicas não tinham 
funcionado. Por que ele não deixava de mamar a noite. Por que eu estava fazendo aquilo com nós dois. Por que as pessoas me criticavam tanto por amamentar a noite. Por que a sociedade impunha a regra de que o bebê tem que parar de mamar a noite e dormir uma noite inteira, sem acordar. Por que?

Na sétima noite, uma amiga "palpiteira" [não no sentido pejorativo da palavra] disse que agora ia, ao completar uma semana do desmame noturno seria um marco [o mesmo marco do terceiro dia? Eu me perguntava...] e que após o sétimo dia seria diferente.

Nesses dias, os quatro primeiros dentinhos do Gustavo estavam nascendo juntos e ele começou a não comer bem as papinhas e frutas. Nem preciso dizer o óbvio, né?! Ele não pegou mamadeira - nunca. Então, se alimentando mal, eu comecei a achar que aquilo poderia ser fome sim - contradizendo toda a humanidade. Isso me preocupou. Apesar de ter um filho sempre bem acima da média de peso e altura, qual mãe não se preocupa ao pensar se seu filho está se alimentando bem? Qual mãe não se desespera ao imaginar que possa estar negando a única fonte de alimento que seu filho quer? Isso é de doer!

Chegado o oitavo dia [ou seria oitava noite?], eu desisti. 
Sim, desisti de tentar, perdi a batalha, uma batalha que eu mesma havia travado. 
Por que? Porque percebi que em oito dias, eu perdi oito noites de sono agradável e prazeroso. Porque descobri [apesar de já saber disso - sua burra!] que o meu filho não se enquadra em técnicas teóricas escritas por pessoas que tem bebês perfeitamente capazes de se adaptar aos seus prazeres e ou suas necessidades. Entendi que aquele não era o momento de tirar as mamadas noturnas e que eu deveria conviver com aquilo.

Não foi fácil aceitar isso. Aceitar a derrota. Faz parte da maternidade.
Enxerguei que ter leite materno em volumes incalculáveis aos 9 meses era uma dádiva divina, já que tantas mães não conseguem amamentar nem até o terceiro mês sem complemento.

Lá fomos nós, felizes da vida, acordar de 3 em 3h até o Gustavo completar seus 12 anos... Será?!!!

Quando Gu fez 1 ano e 1 mês, um grupo de mães que participava no Whatsapp pegou o assunto "desmame noturno" pra Cristo!
Aquilo me incomodou muito. Não o que elas falavam, mas a derrota bateu à minha porta e disse "Está na hora!". E lá fui eu tentar colocar todas as velhas práticas - já sabidas falíveis - em prática!

Nesse momento eu estava tomada pelo cansaço físico e - pior - emocional, coisa muito natural da maternidade. Minha menstruação havia voltado e - não sei se por motivos hormonais - me deu uma vontade louca de parar de amamentar. Aqueles "5 minutos" viraram "15"!!

Recolhi todas as minhas armas e fui para a minha Segunda Guerra Mundial... 
Agora o inimigo estava muito mais inteligente e ágil. Quase impossível de combater [quase?!].
Com um par de pulmões extremamente poderosos, Gustavo chorava quase a ponto de derrubar as paredes. 
Eu nunca o deixava sozinho, mesmo assim aquilo partia meu coração em frangalhos.
Nessa época ele já dormia no berço e na hora em que acordava para mamar ficava em pé, com os bracinhos esticados, pedindo "mãmã"... Ele gritava, berrava, perdia o ar e 40 minutos depois eu cedia, porque sou fraca, sim. Arrumava mil desculpas: "hoje ele não jantou muito", "depois de tanto chorar o nariz entupiu e só mamando vai desentupir", "já deve estar com dor de cabeça de tanto chorar"...

Eu sabia que não deveria ceder, que sempre que cedia eu voltava a estaca zero. Mas cedia. Foi assim por duas noites. Ele chorava na mamada da meia noite. Eu tentava, desistia e deixava ele mamar nas seguintes... Tudo errado, sim, eu sei.

Na terceira noite eu estava tão exausta de tudo aquilo mas ainda queria tentar.
Em um desses momentos da primeira mamada, em que ele se esgoelava a plenos pulmões, eu saí do quarto dele. Sabe aqueles 2 minutos que você precisa sentar na cama, precisa de um ar puro pra respirar e repensar a vida?
Nem chegou a dois minutos.. BUM.. um estrondo veio do quarto dele e quando corremos pra lá encontramos ele estatelado no chão, com os olhos arregalados de medo, sem nem entender o que aconteceu.
Pois é, ele pulou do berço e caiu de cabeça. Nem preciso contar o meu desespero, o sentimento de culpa e ódio-próprio que eu senti por horas, dias... Prometi que nunca mais tentaria desmamá-lo a noite. Que esse processo iria acontecer de forma natural, nem que eu precisasse fazer isso pelos próximos 10 anos [ok, isso é demais, mas foi uma decisão cheia de emoção e culpa envolvida..rsss].

Desde sempre tive muito leite e desde sempre percebia que o Gustavo mamava até esvaziar o seio e quando estava satisfeito, largava o bico, empurrava e virava para o outro lado como se dissesse "Pronto, terminei" e voltava a dormir.

Uma noite dessas, com preguiça de virá-lo de lado [ah, não contei que depois da mamada das 2/3h ele passa o resto da noite na nossa cama, até umas 7h, quando acorda de vez] dei o mesmo seio às 2h e depois às 5h, mas esse seio estava vazio. O Gustavo chupava duas vezes, largava e resmungava bravo. Fez isso umas três vezes até eu [zumbizando] dar conta do que estava acontecendo. Quando o virei e dei o outro seio - cheio - ele mamou, mamou, mamou, se saciou, virou pro outro lado e dormiu.

Isso se repetiu mais umas duas vezes... E me fez pensar... Se ele só quisesse chupetar [como faz muitas vezes no dia] era só chupetar... Mas ele queria LEITE!

Precisei passar por todas essas experiências para entender que o meu bebê é diferente da maioria dos bebês, ele tem fome SIM!

Espero que, com esse relato - diferente de todos os perfeitos que leio por aí - cheio de insucessos e sentimentos reais - você que está passando pela mesma situação sinta-se abraçada!
Esqueça o que a sociedade, as palpiteiras e os livros dizem. Viva sua vida e amamente o quanto quiser.
Permita-se o direito de ter os seus 5 minutos de desespero, pensando que sua criança nunca vai desmamar, mas retorne dos seus 5 minutos, recobre toda aquela sua energia de super mãe que ainda amamenta [que deve ser uns 5 níveis mais poderosos] e seja FELIZ!

Comentários

  1. Tbem sou mãe de primeira viagem, mas mais rodada. Minha filha está prestes a completar 3 anos. Tbem amamentei muito e só tentei deixa lá sozinha no quarto chorando por dois minutos. Nunca mais fiz aquilo. É horrível. Não quero dizer que sou uma mãe melhor que outra. Cometi outros erros. Mas deixar chorar não. É só fiz isso por culpa dessas mães e livros que pregam a perfeição esquecendo que vivemos realidades bem diferentes. Eu queria sim te la desmamado a noite bem mais cedo.... mas não deu :) por fim quando ela tinha 15 meses eu e meu marido tomamos a difícil decisão de desmama la . Eu estava exausta. Trabalhando o dia inteiro e sem dormir a noite. Não foi tão difícil. Minha mãe veio ajudar. Tive que tomar remédio pra secar o leite e ainda assim demorou pra secar porque eu tbem tinha muito. As noites melhorararam um pouco. Mas até hoje ela ainda acorda pelo menos uma vez :) adorei seu relato. É hora das mães pararem de fantasiar a maternidade. Ganhamos um grande amor, sim, mas não é um conto de fadas.

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  2. Oi querida, eu tbm sou mãe de um pequeno de 3 meses. Sou médica pediatra e acabei de ler seu relato. Não se sinta culpada, cada pessoa tem seu tempo e se vc não se incomodar com sua vida não terá problemas. Mas, caso vc decida que isso tem que mudar, vc precisa de ajuda para conseguir. Seu filho já é grande o suficiente, e ele está no comando! Saiba que hoje a maior fonte de energia dele não é só do seu leite e sim da alimentação. Como conselho posso sugerir que vc não tire todas as mamadas de uma vez, comece acostumando ele dormir no berço dele a noite toda mantendo suas mamadas e depois tire a mamada das 2 da manha. Não adianta querer tudo de uma vez. Beijos e boa sorte pra família

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  3. Chorei lendo seu relato. Mãe de verdade. ...Isso sim é bom ler. Meu pequeno tem 2 meses e já me senti pressionada com as mamadas da madrugada.
    Eu vou é curtir meu pequeno. ...ele será bb 1 vez na vida apenas.
    Bruna
    Bjosssssss

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  4. Adorei seu relato. Não tentei fazer o desmame. Como seu filho, minha filha não pegou mamadeira e nem chupeta. E ela já fica o dia todo sem mamar, porque trabalho. Só come, mas, felizmente, come de tudo. Ela está com 9 meses e 11 dias. Acordamos cerca de 3 vezes por noite...
    Acordo cansada? Sim!
    Mas feliz por saber que passei a noite ao lado da minha pequena. Sendo a sua fonte de alimento favorito!

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