Eles também sentem o medo de te perder!

Essa noite uma coisa um tanto estranha aconteceu por aqui...

Estávamos concluindo a nossa rotina do sono. Coloquei o Gustavo para dormir, como sempre faço, deitado ao meu lado na minha cama e mamando. 
Depois de alguns minutos ele parou de mamar e pediu pelo papai. Isso acontece de vez em quando - ele quer todo mundo juntinho para dormir - chamei o papai. Chamei uma, duas, três... E nada do papai aparecer. Imaginei que ele estivesse no banheiro ou usando fones de ouvido [ou tudo isso junto] e não nos escutou. 

Nesse momento o Gu ficou extremamente chateado. Não chorou, não resmungou, não esbravejou e nem tentou levantar... Na verdade, não esboçou qualquer reação. Simplesmente parou de mamar, enfiou a cabecinha entre meu braço e o colchão, me agarrou bem forte [bem forte mesmo] com uma das mãozinhas e ficou ali quietinho.

Alguns minutos depois, já acreditando que ele estivesse dormindo, tentei me soltar das garrinhas dele, mas ele segurou firme e só soltou um "mãe" bem meiguinho, quase desesperado. Não entendi porque, mas fiquei ali agarradinha com ele.

Outro "mãe", esse ainda mais mole e carinhoso... Eu fazia carinho, dizendo que estava ali, que estava tudo bem... Pediu água, dei. Tomou um gole e voltou a me segurar, dessa vez como um abraço de urso envolvendo meu pescoço. E foi assim por longos 40 minutos. Eu estava curtindo esse momento chiclé com meu baby mas meu coração dizia que algo não estava certo. E ele não adormecia. Na verdade, parecia estar sofrendo. Do quê? Não sei! 

Resolvi enviar um whatsapp para o papai... "Vem aqui"... Santa tecnologia! Antes que aparecesse a confirmação de leitura o papai já estava entrando no quarto. O Gustavo ouviu, levantou e agarrou ele num pulo só. Depois se ajeitou entre nós, de forma a manter-se colado nos dois, como se quisesse ser aquecido pelos dois corpos. O papai mal podia se mexer que as mãozinhas do Gu já o procuravam e agarravam com firmeza.


Expliquei [aos cochichos] para o papai o que estava se passando e que o Gu havia ficado profundamente triste porque o papai não atendeu ao nosso chamado. Então o papai conversou com ele, disse o quanto ele o amava e que nenhum de nós iria deixá-lo. [Pausa para enxugar uma lágrima que insiste em cair....... Pronto!]

Mais alguns bons minutos com os olhinhos abertos, uma respiração forte, mas um silêncio atípico...E ele finalmente se entregou ao cansaço, com o coraçãozinho cheio da presença do papai e da mamãe.

Isso tudo me fez pensar... Como pode, um ser tão pequenininho, com pouca consciência do mundo que o cerca, já ter a noção do sentimento de "abandono"?! 
Fiquei imaginando as crianças que são realmente abandonadas ou que perdem seus pais por algum motivo da vida.... Meu coração se partiu em mil pedacinhos e logo se juntou novamente...cheio de gratidão por podermos estar presentes ao lado do Gustavo sempre que ele pede, sempre que ele precisa. Cheio de uma súplica pedindo que sejamos eternos, sempre!
Coração de mãe é assim, né?! Sofre e sorri, tudo ao mesmo tempo!

Poético, eu sei! Boa noite.

Comentários

  1. óh MG... tbm tive q pausar pra tirar as lágrimas da frente pra eu continuar lendo rsrs... o meu tem2 aninhos... fico pensando qndo eles são mais novinhos e choram querendo colinho... qndo são bebês eles não entendem q a gente vai e volta e nem q eles são um e nós mamães outro ser... eles se sentem completamente incompletos

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