Refluxo Oculto & Hiperlactação: Uma combinação nada agradável

Antes, um pouco de utilidade pública...
                                                      Refluxo x Hiperlactação
Muitas vezes mulheres que amamentam podem apresentar hiperlactação. Isso, a princípio pode não ser um problema. No entanto, o bebê pode ficar incomodado com a abundância de leite e o reflexo de ejeção forte e ter seus sintomas confundidos com refluxo. 
Por isso, antes de achar que o bebê tem refluxo e medicar, verifique se seu caso não é de hiperlactação. Geralmente, a produção de leite de mães com hiperlactação tende a se normalizar por volta dos 3 meses.

Mas esse não é o meu caso...!

Desde que o Gustavo nasceu, ainda na maternidade, eu percebi que, constantemente, ele abria a boquinha, empurrava a cabeça para trás, colocava a linguinha pra fora e fazia cara de ‘nojo’, principalmente depois de mamar. Eu tinha a impressão que ele estava com ânsia de vômito, mas como nunca chegava a vomitar ou golfar, nunca dei muita importância. Sempre que acontecia eu ficava atenta com medo de que ele engasgasse, porém sempre passava e ele nem se quer resmungava. Isso foi diminuindo ao longo do tempo e com 1 mês e pouco parou de acontecer.

Já na segunda noite na maternidade meus seios ficaram extremamente vermelhos e quentes. Corri atrás da enfermeira, morrendo de medo de ser mastite e ela bem tranquila falou “Está tudo bem, é a decida do leite!”. Eu havia lido nos livros e blogs que o leite desceria lá pelo 3º ou 4º dia, mas tudo bem... Se tem uma coisa que eu não deixei de pedir a Deus nem um diazinho só era pra que o bebê viesse com bastante saúde e que eu tivesse muito leite. Vai ver as orações tinham sido atendidas prontamente!

Como já escrevi num post sobre AmamentAÇÃO [aqui] nunca tivemos problemas aqui em casa... A pega dele era ótima, eu não tive dores, só precisei usar o bico de silicone pra controlar a ‘vazão’ e evitar engasgos. Sempre amamentei a cada 3 horas, quase que sagradamente, oferecendo apenas um seio a cada vez e ele mesmo largava o bico, completamente satisfeito. [Nem preciso dizer que eu me sentia a melhor mãe do universo!]

A única coisa que eu estranhava é que ele não arrotava de jeito nenhum. Não havia posição, tapinhas, nem horas ‘em pé’ no colo que o fizesse arrotar... ele simplesmente não arrotava [vai ver era um little gentleman], mas nunca vimos problemas, já que ele estava feliz e crescendo bem.
Sempre depois de mamar ele golfava um pouquinho, nada de anormal e por esse motivo, com medo de que afogasse, sempre o deixava na cadeirinha bouncer e lá ele ficava dormindo inclinadinho.

Nas consultas à pediatra [ele teve uma icterícia leve e precisou voltar duas vezes antes de completar um mês] sempre ia tudo bem, aliás, MUITO BEM. O Gustavo estava crescendo e engordando bastante. Bastante não, o dobro do normal [um bebê engorda entre 20-25g/dia e ele estava na média de 55g/dia]. Mas não havia nada de mal nisso, apenas seria um bebezão [e é!]. Brincávamos que meu leite tinha Whey Protein. Até a Dra. tirava um sarro da situação dizendo que iria arrumar uns bebês pobrezinhos pra eu amamentar. Na realidade sempre achei engraçado o fato de usar uma fralda [daquelas grandes] por mamada, já que ele deixava derramar um montão de leite pra fora. Nunca havia pensado nisso como uma coisa ruim.

Quando completamos um mês o cenário começou a mudar.

Em certo momento da mamada o Gustavo começava a brigar com o peito. Ele sugava, puxava o bico com força, resgungava, inclinava o corpinho para trás, ficava irritado, inquieto e quando eu tirava o peito da boca, ele se acalmava e sussegava.
No principio isso parecia falta de leite [pelo menos eram esses os sinais que os bebês davam quando o leite estava secando], mas isso estava fora de cogitação no meu caso, que jorrava leite de quase banhar todo o bebê.

Aquilo se tornou uma rotina e começou a me intrigar. As golfadas continuavam num volume normal, nada com o que se preocupar, mas quando passava de 8/10min mamando [o normal dele é de 13 a 15min] ele começava aquele ritual estressante de se contorcer e brigar com o peito como se estivessem travando uma batalha.
Uma bela noite [claro, que é sempre a noite!] o Gu havia mamado e poucos minutos depois começou a chorar como nunca havia chorado na vida [nem quando teve cólicas nas primeiras três semanas]! Ele suava, ficava vermelho e o choro vinha lá do âmago [uma mãe sabe do choro que eu estou falando!].
Nem preciso dizer que eu entrei em desespero, né?! Não tinha nada que eu pudesse fazer pra ajudar, pra acalmar e fazê-lo parar de chorar. Fiquei andando pelo quarto de um lado para o outro [até quase chegar no vizinho de baixo]. Quando ele finalmente adormecia, eu tentava colocá-lo na cama, ele acordava e voltava a berrar. [Vale dizer que o berço dele está inclinado aos 30° desde antes dele nascer, maaaas ele nunca dormiu lá!]

Comecei a reparar que ele estava ficando incomodado de deitar logo após mamar e pensei... Ou meu leite está com um gosto ruim [#NOT] ou é refluxo, claro!
Passei três noites inteiras atrás dos sintomas de refluxo no Dr. Google e ele não tinha praticamente nenhum sintoma daqueles, se os tinha não eram frequentes.
- Sono agitado;
- Vômitos;
- Golfadas em todas as mamadas, geralmente em forma de jatos longos;
- Irritação e choro excessivo após mamar;
- Perda de peso ou pouco ganho de peso;
- Se arqueia para trás depois de mamar;
- Quer mamar no peito o tempo todo, pois o LM alivia a azia;
- Rouquidão: a laringe inflama;
- Esofagite: inflamação da parede que cobre o esôfago;
- Doenças respiratórias recorrentes ou otites (dor de ouvido);
- Tosse persistente, problemas respiratórios persistentes;
- Mama apenas poucos minutos e começa a chorar;
- Soluços muito frequentes;
- Briga com o peito, parece ter dificuldades para sugar.

Somente os dois últimos se encaixavam, achava impossível um refluxo sem as assustadoras golfadas e as famosas inúmeras trocas de roupa então continuei a minha busca pela internet...
Depois de três dias sofrendo com os choros do pequeno resolvi fazer um teste, por mim mesma, pura especulação. Antes de cada mamada tirava 5min de leite com a bomba [e, acreditem, saía até 90ml de leite em 5 MINUTOS].
Milagrosamente o Gu parou de brigar com o peito e de chorar após as mamadas. [Até me empolguei para me inscrever de doadora num banco de aleitamento materno!!]
Eis que resolvo procurar no Dr. Google por “excesso de produção de leite” ou Hiperlactação e, por incrível que pareça encontrei apenas um texto falando sobre o assunto que resposto [aqui], tirado do Grupo Virtual de Amamentação, uma comunidade do Orkut [sim, ele ainda existe, graças a Deus!!!] .

Como identificar a hiperlactação?
Além de o bebê algumas vezes apresentar sintomas bem parecidos com refluxo, conforme listados lá em cima, a mãe apresenta vazamento dos seios entre as mamadas, o outro seio vaza enquanto o bebê está sendo amamentado, os seios ficam cheios e doloridos e às vezes, mesmo após a mamada, não sente alivio.

E não é que eu encontrei TUDO o que eu precisava ler?!
Depois de ler o texto, me encaixei em praticamente todos os sintomas e descobri que tirar leite com a bombinha poderia ser prejudicial, pois meu corpo entenderia que o volume de leite necessário para o bebê era aquele que saía e eu me tornaria a própria vaca leiteira [já me imaginei plugada à aquelas máquinas sugadoras...].

Feliz de ter encontrado o diagnóstico, comecei esse ritual de tirar o leite um pouquinho antes e em seguida dar o peito levemente vazio ao filhote, por umas 3 semanas. Deu certo! Mas com preguiça de esterilizar todas as parafernálias a cada duas horas, resolvi suspender o processo e o meu bezerrinho ficou bem!
A partir daí começamos a ter grandes quantidades de leite voltando em golfadas pós mamada. Ele ficava irritado, botava pra fora o excesso e continuava feliz. Aquilo era refluxo, mas só durava 30min a cada mamada.

Voltamos à pediatra para a consulta dos 2 meses... O gorducho continuava a ganhar peso acima da média, sem problemas... Comentei com a Dra. a respeito do refluxo, de resmungar uns 30min até sossegar, sobre a hiperlactação e ela não quis ministrar nenhum remédio já que ele estava bem e ganhando muito peso. Era sinal de que o leite que voltava não fazia falta [mas fazia mal!].


Por um lado fiquei feliz de ter uma pediatra que não estava disposta a prescrever remédios a qualquer sintoma, por outro fiquei triste pois meu bebê sofria meia hora a cada 3h... 
Fomos levanto numa boa [na medida do possível] e a cada mamada já preparávamos o baldinho... [Ah, e parei de tirar o leite com a bombinha pois percebi que estava aumentando a produção, mesmo os míseros 5 minutinhos...]


Na semana seguinte à pediatra, o Gu começou com uma tosse horripilante pra qualquer mãe! Era uma tosse rouca e seca, parecia asmática mas ele não perdia o ar e nem ficava roxinho, só arregalava os olhos e voltava ao normal - a famosa tosse de cachorro.
Mais uma vez o Dr. Google em ação, descobri que ele estava com faringite [é mole?!]. Liguei correndo pro meu pai [ah, não contei... tenho pai e madrasta pediatras!!!! Mas santo de casa não costuma fazer milagre, né gente?!] e ele confirmou o diagnóstico do Google... Mandou só fazer muita inalação com soro, pra hidratar a faringe. [Ai, que dó!] E nas minhas buscas frenéticas descobri que refluxo dava faringite... Bingo! Ele estava mesmo com refluxo!
Exatamente como meu pai [e o Google] falou... 2 semanas de inalação e ele estava curadinho. Mas se eu não resolvesse o refluxo, a faringite ia voltar...

De volta na pediatra para a consulta de quase 3 meses, reclamei a respeito do refluxo, falei da faringite... Mas nada de prescrever algum remédio... [minha mãe sempre me dizia “Filha, exageeeeeeeeera nos sintomas, senão ele não vai te dar remédio!”... E não é que mãe está sempre certa?! No caso isso era para o meu pai, mas serviria pra Dra. Rosana!] A Dra. Rosana elogiou, falou que ele estava excelente de saúde, crescendo como um tourinho, que não precisava de remédio e que logo isso tudo ia passar... Amo de paixão a pediatra do Gu, mas eu precisava que alguém fizesse alguma coisa pra passar aquele mal estar chato do pequeno.

Já cansada de ver meu filhote sofrendo e resistente à introdução de remédios desnecessários [assumo que sou meio hipocondríaca, mas não quero ser uma mãe-hipocondríaca], resolvi tirá-lo do peito assim que ele demonstrava os primeiros sinais de irritabilidade, porém ele ficava muito bravo e queria voltar a mamar.
Notei que ele ficava bravo porque ainda não havia se satisfeito de sugar, então comecei a substituir o meu bico pela chupeta, assim ele continuava “no peito”, sem sair leite. SUCESSO TOTAL!!!

Resolvemos o problema do excesso de leite, já que ele está mamando menos, diminuímos as inúmeras fraldas encharcadas de leite desperdiçado e o meu bezerrinho está passando menos mal... Sim, menos porque ele ainda apresenta alguns sintomas ‘chatos’ e precisa de todos aqueles cuidados de um bebê que tem refluxo demanda...

Nos últimos dias percebemos que ele vem resmungando bastante após mamar, golfa em quantidades moderadas e acorda chorando como se estivesse assustado. Sempre o pegava, achando que era fome, tentava oferecer o peito ou dar a chupeta e ele só chorava mais. Tentava deitá-lo de volta e era o maior escândalo e ainda ficava forçando pra tentar levantar e colocando as mãos na boca ou esfregando no rostinho.
Depois de algumas tentativas e erros de acudi-lo nesses ‘sustos’, percebi que andando com ele em pé no colo, ele arrota e volta a dormir [ou desmaiar]... Agora já acertamos... Se ele acorda assim, é só levantar, dar uns bons tapinhas nas costas, andar um pouco e quando vem um [às vezes dois] arroto, pode voltar para a cama.
Bom, agora você imagina a nossa noite, né?! O soninho dele ainda é bastante perturbado por acordar com azia, mas estamos levando... Achamos que ainda é possível passarmos por isso sem remédios.

Algumas medidas foram tomadas para diminuir o refluxo oculto...
- Nunca o deitamos após a mamada, sempre deixamos no colo ou na cadeirinha por, pelo menos, 30min;
- Tentamos que ele arrote logo após uma mamada [o que nem sempre dá certo, pois às vezes ele dorme...];
- Evitamos calças e shorts apertados, e deixamos a fralda bem larga, para não comprimir o abdômen;
- Usamos travesseiros anti-refluxo de berço [para o berço desmontável que fica no nosso quarto] e de carrinho [para amamentar deitada, ou deitá-lo no sofá e no trocador, já que o já carrinho tem uma boa inclinação];
- Sempre que trocamos ele, evitamos levantar as perninhas. Para limpá-lo viramos para um lado e depois para o outro;
- Não trocamos a fralda logo após uma mamada;
- E nas crises de azia [que ainda são diárias] damos muito amor e colinho, esperando o desconforto passar. [Ah! Ligar a TV sempre distrai ele no meio da madrugada. Ele olha a TV por alguns minutos, parece esquecer a queimação e capota...].


A coisa fica feia quando ele resolve dormir umas 7h seguidas a noite, aí quando vai mamar tem leite pra alimentar a humanidade inteira...
Isso tudo exige muita paciência, pois é necessário adaptar a rotina, mas tudo vale a pena pra ver seu filhote feliz! [E que Deus nos ajude pra essa fase passar logo!]

Comentários

  1. Nossa pareceu eu falando, estou passando por isso exatamente igual, meu bebê tem 2 meses e estou aqui no Dr. Google pesquisando os sintomas e acabei de descobrir que sou uma vaca leiteira rsrsrs com certeza eu tenho Hiperlactação. Adorei o blog viu. bjimm

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  2. Nao sei se vc é da comunidade do face, eu estou com esse dilema! As pessoas ao redor tem q dar um bilhao de palpites!! Ja chegaram a falar q minha bb vai ser obesa quando crescer!!! Kkkkkk adorei a parte q vc diz q qndo ele dorme enche leite p humanidade inteira!! Me sinto sortuda por ter tanto leite, mas fico com muita dó qndo ela chora de dor!! Tadinha, os palpiteiros de plantao sempre querem tirar ela do meu colo no meio da mamada, é um saco! E ainda ficam falando q é colica q sao gases, e como ela para de chorar qndo sai do peito os palpiteiros ainda se vanglorizam tipo assim: " viu como eu tinha razao, ela parou de chorar comigo ( vc nao entende seu filho pessima mae, eu, visita, entendo mais q vc q convive com ele 25 h por dia!)" ja tentei explicar mas ninguem concorda! Q luta! Nao sabia q O MUNDO INTEIRO SABIA CUIDAR DO SEU FILHO MELHOR Q A MAE!!!!

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  3. Por favor!!! Acabei de ler sua historia e me vi completamente!!! Preciso saber onde esta a luz no fim do tunel. Quando e como passou tudo isso? Meu bebe vai fazer 3 meses essa semana. Meus seios pararam de inchar a quase explodir, mesmo assim ele ainda luta com meus seios ao mamar. E o refluxo... Quando acaba isso??!! Abraços.

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  4. No meu caso tô tentando pegar meu bb mais sonolento e aperto a aureola para diminuir o fluxo, comecei hoje e está dando certo até agora.

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  5. No meu caso tô tentando pegar meu bb mais sonolento e aperto a aureola para diminuir o fluxo, comecei hoje e está dando certo até agora.

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  6. Oi, estou com os mesmos sintomas, mas o médico disse que é refluxo oculto e receitou remédio. Já faz 15 dias que estou medicando e ela continua resmungando depois das mamadas. Ela sofre muito. Eu escuto o leite voltando na garganta dela. Pra piorar ela ainda não arrota e o intestino tá preso, acredito que por conta do remédio. Quando melhorou o refluxo do seu bebê?

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  7. Oi, estou com os mesmos sintomas, mas o médico disse que é refluxo oculto e receitou remédio. Já faz 15 dias que estou medicando e ela continua resmungando depois das mamadas. Ela sofre muito. Eu escuto o leite voltando na garganta dela. Pra piorar ela ainda não arrota e o intestino tá preso, acredito que por conta do remédio. Quando melhorou o refluxo do seu bebê?

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    1. Gabriela o Gu tb não arrotava :(.. o remédio ajudou na quantidade de golfadas mas a dor continuava.. só melhorou mesmo quando introduzimos alimentos.. pulamos a etapa do suco e já fomos para as frutinhas não ácidas aos 5m.. foi milagroso.. passou quase q no dia seguinte..

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  8. Oi..tenho hiperlactacao, mas ainda nao identifiquei sinais de refluxo. No meu caso, nao vejo minha bebe ganhar muito peso. Quase enlouqueco com a mama muito cheia, que ela nuuunca consegue esvasiar, e assim nao mama o leite posterior..de madrugada os meus seios doem e so alivia qndo desmamo um pouco..como vc fazia p que ele atingisse esse leite, e para 'aguentar' a mama super cheia, sem desmamar? Na maioria das vezes a minha mama enche logo dpois que ela dorme..e ai nao tenho como oferecer de imediato..

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  9. Oi..tenho hiperlactacao, mas ainda nao identifiquei sinais de refluxo. No meu caso, nao vejo minha bebe ganhar muito peso. Quase enlouqueco com a mama muito cheia, que ela nuuunca consegue esvasiar, e assim nao mama o leite posterior..de madrugada os meus seios doem e so alivia qndo desmamo um pouco..como vc fazia p que ele atingisse esse leite, e para 'aguentar' a mama super cheia, sem desmamar? Na maioria das vezes a minha mama enche logo dpois que ela dorme..e ai nao tenho como oferecer de imediato..

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