Hiperlactação: Quando muito leite é um problema!

Às vezes uma mãe produz mais leite do que o bebe precisa, e isso pode tornar as mamadas estressantes e desconfortáveis para o bebê e a mãe. A maioria dos bebês de mães que tem leite em excesso ganham peso mais rápido que o normal. Ter um peso mais alto que o normal é problema só quando há dificuldades por causa do excesso de leite. 

Alguns bebês cuja mãe tem excesso de leite não mamam o suficiente porque eles tem dificuldades em controlar o forte fluxo e não conseguem se alimentar com facilidade.
Quando uma mãe produz mais leite que o necessário podemos observar o seguinte comportamento do bebê:
· Bebê chora muito e geralmente é irritadiço ou inquieto;
· Às vezes o bebê pode sufocar, se asfixiar, cuspir ou tossir durante a mamada;
· O bebê pode parecer querer morder ou pendurar no bico do peito durante a mamada;
· O leite jorra quando o bebê larga o peito, especialmente no começo da mamada;
· A mãe pode ter bico do peito dolorido;
· O bebê pode se contorcer e, às vezes, gritar;
· A mamada parece uma batalha, o bebê pega e larga o peito o tempo todo;
· As mamadas podem ter uma duração curta às vezes de 5 ou 10 minutos no total;
· O bebê parece ter uma relação de amor e ódio com o peito;
· O bebê pode arrotar ou ter gases com frequência entre as mamadas com tendência a regurgitar com frequência;
· O bebê pode ter as fezes verdes, moles ou espumosas;
· O peito da mãe está cheio a maior parte do tempo;
· A mãe pode ter frequentemente os canais obstruídos, que pode se transformar em mastite.

Se algumas destes comportamentos te parecem familiar, pode ser que você tenha uma produção abundante de leite, que pode causar um reflexo de ejeção muito forte e/ou desequilíbrio na produção do leite ralo e do leite gordo.
O comportamento descrito acima pode muitas vezes ser diagnosticado como intolerância à lactose, à proteína de leite, refluxo ou hipetonicidade.
Felizmente a produção da maioria das mães superprodutoras se equilibra por volta dos terceiro mês de aleitamento.

Por quê? 
Existem várias razões para que uma mãe produza leite em excesso.
Algumas mães produzem muito leite desde o começo. Em outros casos, a abundância é o resultado de maus conselhos. Isto acontece especialmente se a mãe retira certa quantidade de leite antes da mamada para diminuir o fluxo, para que a mamada seja mais confortável para o bebê. Isto ajuda no começo, mas termina em um problema crônico.
Outra causa pode ser de passar ao segundo peito antes que o bebe tenha terminado o primeiro. Isto acontece quando a mãe amamenta um tempo contado em cada peito ou quando ela tenta achar um peito que o bebê aceite melhor. O peito de algumas mães são muito sensíveis à estimulação, e trocar de lado varia vezes sem antes acabar com o leite de cada um dos peitos pode resultar em uma superprodução de leite nos dois peitos.

A mãe pode ter sido aconselhada de dar de mamar por alguns minutos de cada lado do peito ou que o bebê deve mamar dos dois peitos a cada mamada. Para uma mãe com superprodução de leite, o bebê se satisfaz tão rápido em um peito que ela acha que tem que tirá-lo mais cedo de um peito para que ele possa ainda mamar no segundo peito. Ele é então tirado do peito antes de mamar o leite gordo, e se enche com o primeiro leite do segundo peito. Grande quantidade de alimento de baixo teor calórico cria um ciclo vicioso: o ventre do bebê parece inchado e desconfortável por causa da alimentação, e ele ainda tem fome, porque não mamou leite gordo suficiente para se satisfazer. Então o bebê chora para que seja alimentado de novo, e a mãe conclui que ela não esta tendo uma quantidade suficiente de leite para alimentá-lo, pois ele nunca está satisfeito.
O primeiro leite tem uma grande quantidade de lactose, um açúcar normal e necessário que, em grandes quantidades, causa gases e desconforto, frequentemente com fezes espumosa, liquidas ou verdes. 
Após um certo tempo à lactose pode irritar o tecido dos intestinos, causando uma intolerância secundária à lactose e possivelmente pequenos sangramentos nas fezes que podem ser diagnosticados, erroneamente, como intolerância alimentar.
Ajustando o aleitamento para aumentar a quantidade de gordura que o bebe recebe (terminando o peito antes de mudar de lado) geralmente corrige o problema. 

Estratégias para abaixar a produção de leite
Mudar a maneira de amamentar pode reduzir a quantidade de leite produzido e a quantidade de lactose recebida, aumentando ao mesmo tempo a quantidade de gordura produzida.
As mães com superprodução produzem quantidade de leite suficiente em cada peito para uma mamada completa. Uma estratégia que pode ser de alimentar o bebe de um só peito de cada vez. Se o bebe quer mamar de novo duas horas depois, veja como ele reage ao oferecer o mesmo peito de novo. Nas duas horas seguintes ofereça-lhe somente o outro lado. Os peitos devem assim gradualmente moderar a produção de leite, uma vez que este está sendo mamado com menos frequência.
Se você ficar desconfortável com o peito que não está amamentando antes do momento da troca de lado, tire o leite por alguns minutos, somente o suficiente para aliviar o desconforto. Não tire muito, pois isto estimulará o peito a produzir mais leite.
Compressas frias ajudam a aliviar o desconforto e reduz o inchaço de peitos cheios. 
Para verificar se a estratégia de alimentar de um só peito por um só período prolongado está funcionando veja se o bebê está mais calmo e parece satisfeito entre as mamadas, também se as fezes se tornaram menos aguadas e mais amarelas. Também verifique se o bebê se engasga, se asfixia e cospe menos durante as mamadas significa que fluxo de estará mais fraco.
Se achar que o bebê ainda está tendo dificuldades após 7 dias alimentando-o de um peito de cada vez, aumente o período em que amamenta de um só lado (2 ou 3 mamadas e mesmo mais). Mas é melhor aumentar o período de aleitamento de um só lado devagar e com cuidado, pois alimentando de um só lado por um período muito prolongado pode levar a uma redução de produção muito drástica.
Se depois de tentar estas técnicas, a alimentação não melhorar de maneira significativa, pode ser necessário tomar medidas mais eficazes para reduzir a produção de leite.
Uma conselheira de aleitamento pode te informar e seu médico pode ajudar a gerar sua superprodução com a utilização de medicação e ervas. Em certas situações um tratamento de 4-7 dias com um contraceptivo de baixa dose, que contêm estrógeno e progesterona, pode ser usado para reduzir a produção em um nível mais apropriado. Chá de Artemísia tem ajudado a reduzir a produção de algumas mães. Assim como o uso de pseudoefedrina.

Estratégias para reduzir a força do reflexo de ejeção
Quando uma mãe produz um grande volume de leite, o reflexo de ejeção pode ser forte. Todo este leite saindo ao mesmo tempo pode ser mais do que um bebê pode engolir. É como se tentar beber água em posição deitada com uma mangueira aberta a fundo. Além de cuspir, engasgar, e tossir quando o leite chega, o bebê pode tentar controlar o leite puxando o peito e pegar só o bico do peito. Ou ele pode simplesmente dar uma pausa esperando que o fluxo se reduza, o que dá uma sensação de “mordida”. O bebê pode também gritar e se contorcer.
 Existem algumas estratégias que podem ajudar a controlar um reflexo de ejeção muito forte sem aumentar a produção de leite. 
A. Colocar o bebê numa posição mais vertical de maneira que a cabeça esteja mais alta que o peito, isto o permitira de controlar melhor as mamadas;
B. Se posicionar de maneira mais recostada [como se estivesse lendo um livro na cama, com uns 3 travesseiros nas costas, sabe?!] com o bebê por cima. Nesta posição o leite tem que subir para sair o que reduzira a força do fluxo;
C. A posição de tesoura com a ponta do peito entre o polegar e o dedo médio, ajuda a reduzir o fluxo;
D. Amamentar o bebê quando ele estiver acordando. Ele vai sugar mais devagar se ele ainda estiver sonolento;
E. Se o bebê começar a cuspir ou engasgar o tire do peito e deixe o excesso de leite cair em uma toalha ou pano. Reposicione-o quando a força da ejeção tiver terminado; [isso eu faço sempre!]
 F. Amamentar deitada de lado é mais suave, pois o leite flui em posição horizontal sem a força da gravidade e o bebê pode deixar o leite excedente cair no lugar de engolir tudo. Faça de maneira que o peito que amamenta fique contra o colchão e não apontando para baixo aumentando assim a força do fluxo; [isso eu faço sempre também!]
G. Alguns bebês sofrem com o reflexo de ejeção muito forte de suas mães mamando só um pouco de cada vez, parando e recomeçando frequentemente. Isto é bom. Permita ir e vir ao peito conforme for à necessidade dele;
H. Amamentá-lo antes que ele esteja com muita fome vai evitar que ele sugue de maneira muito agressiva. Uma sugada mais forte pode causar um reflexo de ejeção ainda mais forte, o que dificultará ainda mais a mamada;
I. Embora a maioria dos bebês aleitados não precise muito arrotar, as mães que tem grande quantidade de leite vêem seus bebês engolirem ar durante a mamada e terem gases por causa do excesso de lactose. Arrotar frequentemente pode minimizar os problemas causados por engolir ar. Lembre-se de voltar com o bebê ao primeiro peito ao invés de troca-lo de peito após o arroto.
  

Informações tiradas do site La league La leche:
E la leche league français: 

Folheto n° 59: Trop de lait 

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